Policiais das forças de segurança de São Paulo mataram 356 pessoas de janeiro a junho deste ano, conforme dados divulgados pelo governo estadual nesta quinta-feira (30). O número representa uma média superior a 13 mortos por semana no período.
Em comparação com o primeiro semestre de 2025, quando houve 365 mortes, a queda foi de 2,4%, com nove mortes a menos. Os registros incluem policiais civis e militares, em serviço e de folga. Casos de folga são contabilizados quando têm ligação com a segurança pública, como agentes que reagem a roubos.
Policiais militares em serviço responderam pela maior parte dos casos, com 277 mortes. Já os PMs de folga deixaram 65 mortos no período.
O estado vive uma tendência de alta da letalidade policial desde 2023, primeiro ano do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foram três anos seguidos de aumento no número de mortos pela polícia, com destaque para as operações na Baixada Santista, iniciadas em julho daquele ano após assassinatos de PMs.
A Polícia Militar registrou nove mortos no primeiro semestre deste ano, uma a mais que no mesmo período de 2025. Entre os PMs mortos, cinco estavam em serviço e quatro de folga. A Polícia Civil, por sua vez, não teve baixas no semestre, enquanto no ano passado quatro policiais haviam sido mortos.
Parte dos casos de morte em intervenção policial é alvo de suspeitas de má conduta. Em 3 de abril, uma soldado recém-formada agrediu e atirou contra Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. A vítima, mãe de cinco filhos, foi baleada após uma viatura avançar em direção a ela e ao marido. A soldado Yasmin Cursino Ferreira, de 21 anos, desceu do carro, chutou a mulher e atirou no tórax dela.
Em 29 de abril, um PM atirou sete vezes contra um homem que segurava um facão após uma briga de trânsito no bairro Jaraguá, na zona norte. Imagens de câmera corporal mostraram o policial dizendo ao colega: “Peraí que eu vou matar ele. Vou dar tiro”. O agressor estava parado a vários metros de distância quando foi atingido.
O governo Tarcísio teve 44 casos de morte em intervenção policial a mais que a gestão anterior, de João Doria e Rodrigo Garcia, entre janeiro de 2019 e julho de 2022, uma diferença de 1,8%. Doria assumiu em um dos picos de letalidade da série histórica, e os números caíram após a implantação das câmeras corporais. Hoje, o acionamento dos equipamentos depende do próprio policial ou do centro de operações.
Homicídios
Os homicídios dolosos caíram 7,3% no primeiro semestre, com 1.149 registros entre janeiro e junho, o menor número da série histórica iniciada em 2001. Os dados foram divulgados por notas à imprensa na quinta-feira, sem publicação do número de vítimas, que costuma ser maior que o de ocorrências.
A queda nos assassinatos se mantém desde 2013, com aumentos apenas em 2020 e 2022.
