Professor Tic»Notícias»Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

A Ucrânia advertiu o Irã nesta terça-feira (28) a não lançar um ataque retaliatório contra o país europeu. No sábado (25), a Ucrânia alvejou um navio iraniano no mar Cáspio, matando uma pessoa. A tensão entre os dois países corre o risco de fazer confluir as duas principais guerras em curso no mundo: a guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia em 2022 e a guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra a teocracia iraniana neste ano.

O chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, telefonou para o colega iraniano, Abbas Araghchi, para pedir comedimento. Pela descrição do diplomata no Telegram, o tom não foi ameno. Sibiha disse também ter exigido que o Irã pare de apoiar a Rússia. Segundo a versão de Kiev, que não foi contestada, o navio atingido no sábado transportava equipamento para as Forças Armadas de Vladimir Putin.

O Kremlin condenou a ação nesta terça. O porta-voz Dmitri Peskov classificou o ataque como terrorismo internacional de Kiev. “Um ataque a um navio iraniano é um ataque ao Irã”, afirmou. A fala ecoou a declaração de Araghchi na véspera, que havia prometido vingança.

A ameaça de retaliação gerou alarde na mídia e nas redes sociais ucranianas, com estimativas sobre como seria a resposta. Surgiu um consenso de que ela envolveria o míssil de maior alcance do Irã, da série Khorramshahr. Kiev poderia ser atingida em até 25 minutos, a depender do ponto de lançamento no Irã. Circularam boatos de que lançadores do míssil já estavam sendo preparados, o que elevou a tensão. O governo de Volodimir Zelenski veio a público negar ter essa informação de inteligência.

A reportagem ouviu duas pessoas com acesso ao Kremlin. Segundo elas, a visão no governo russo é a de que Kiev tentou criar um fato para aproximar as duas guerras e chamar a atenção de Donald Trump às vésperas da viagem de Zelenski a Washington, em curso nesta terça. De acordo com essa leitura, a Ucrânia buscaria qualificar o Irã como um inimigo comum, na esperança de receber mais apoio militar. Desde que assumiu no ano passado, Trump cortou a ajuda direta a Kiev e tenta promover negociações de paz.

Do ponto de vista militar, um embate direto entre Irã e Ucrânia parece difícil de escalar para além de ataques pontuais. Atualmente, o apoio militar do Irã à Rússia é nulo. Antes da invasão de 2022, os iranianos venderam centenas de drones suicidas Shahed-136 a Moscou e transferiram sua tecnologia de produção. Os drones só apareceram em quantidade no campo de batalha meses depois, quando os russos já produziam sua versão local, o Gerânio-2.

Putin firmou um acordo estratégico com o Irã no começo de 2025, que inclui cooperação militar, como a venda de caças Su-35S a Teerã. Não há, porém, cláusula pública de defesa mútua. O mal-estar entre Kiev e Teerã teve outros episódios. Quando os iranianos começaram a alvejar aliados dos EUA no Golfo Pérsico, Zelenski enviou 200 especialistas em drones para ajudá-los a montar defesas. Em paralelo, a troca de ataques entre Rússia e Ucrânia seguiu nesta terça, com ações no mar Negro. Os russos atingiram instalações portuárias e um navio cargueiro perto de Odessa, que ficou em chamas.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

Equipe que atua de forma conjunta na redação e edição de textos para tornar conteúdos interessantes e acessíveis.

Ver todos os posts →
Todas as notícias