O caso do detento que confessou ter matado as próprias filhas, de três e cinco anos, durante a “saidinha” do Dia dos Pais em São Paulo, foi o centro do debate na Comissão de Direitos Humanos do Senado nesta quarta-feira, 12. A discussão girou em torno de uma lacuna na legislação penal que ainda permite o benefício a alguns condenados.
A presidente da comissão, senadora Damares Alves (foto), afirmou que o autor minimizou o crime à polícia e usou o episódio para cobrar o fim absoluto do benefício no país. O homem cumpria pena no sistema prisional paulista e foi liberado temporariamente para a data comemorativa. Ele buscou as crianças na casa da ex-mulher para um passeio e as executou.
Damares detalhou a motivação do duplo assassinato. Segundo a senadora, o detento decidiu retaliar a ex-companheira, que havia parado de visitá-lo na cadeia, depois de ver uma foto dela com amigas em um restaurante.
O caso expôs as limitações da lei aprovada pelo Congresso em 2024, que extinguiu as saídas temporárias. Por princípio jurídico, a nova regra não retroage para prejudicar réus já sentenciados. Na prática, explicou Damares, a mudança não alcançou condenados antigos, apenas os que passaram a cumprir pena mais tarde. Isso permite que indivíduos de alta periculosidade continuem deixando os presídios.
“A saidinha sendo concedida a pessoas que não estão em condições de viver em sociedade”, criticou a parlamentar.
