O ex-presidente da CBF, Rogério Caboclo, voltou a aparecer no cenário político do São Paulo. Um vídeo vazado na última quarta-feira (5) mostra um encontro político que recolocou o nome do cartola na disputa pela presidência do clube para o triênio de 2027 a 2029. A eleição está marcada para a primeira quinzena de dezembro.
Caboclo é conselheiro vitalício do São Paulo. Ele foi afastado da CBF em 2021 após denúncias de assédio moral e sexual, mas foi absolvido na Justiça comum. Na gravação, o dirigente aparece ao lado de Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo, e de apoiadores do atual presidente, Harry Massis, que é desafeto público de Ayres.
Em nota, Ayres confirmou o apoio do seu grupo político à candidatura de Caboclo. O presidente do Conselho disse que a posição foi construída a partir de convicções e do diálogo com integrantes do Conselho Deliberativo. Ele não deu entrevistas.
O pesquisador Alexandre Giesbrecht, editor do Anotações Tricolores, afirmou que Caboclo sempre foi ausente do dia a dia do clube. Segundo ele, o pai do cartola, Carlos Caboclo, foi quem levou o técnico Telê Santana ao São Paulo em 1990. Giesbrecht classificou a candidatura como um episódio de “sabor artificial de oposição”.
O advogado Caio Forjaz, do grupo opositor Salve o Tricolor Paulista, disse que o histórico de investigações de Caboclo prejudica a imagem do clube. Ele citou a dívida de R$ 858 milhões do São Paulo, divulgada no balanço financeiro de 2025. “Sai um investigado por corrupção por outro que tem seu nome envolvido com outros escândalos”, afirmou.
Trajetória na CBF
Caboclo foi eleito presidente da CBF em 2018. O mandato terminou em junho de 2021, depois que uma funcionária apresentou acusações formais de assédio moral e sexual à Comissão de Ética. Áudios divulgados na época mostravam o dirigente fazendo perguntas íntimas à colaboradora.
O grupo político que pressionou pela queda de Julio Casares não vai apoiar Caboclo. A intenção do grupo é lançar o conselheiro vitalício Marcelo Marcucci Portugal Gouvêa, filho do ex-presidente Marcelo Portugal Gouvêa, na disputa.
Regras do estatuto
A candidatura de Caboclo precisa cumprir exigências do estatuto do São Paulo. O Conselho Deliberativo tem 260 cadeiras, mas apenas 157 vitalícios podem votar nesta eleição. Para registrar chapa, é necessário o apoio de pelo menos 55 conselheiros vitalícios. Se apenas uma chapa alcançar essa margem, a exigência cai para 40 assinaturas para outras duas chapas.
O atual presidente, Harry Massis Júnior, assumiu o cargo em janeiro, após o afastamento de Casares. Massis enfrenta pressão por causa do transfer ban, que impede o clube de registrar novos jogadores. A dívida é de 1 milhão de euros (cerca de R$ 5,8 milhões) pela compra de Marcos Antônio junto à Lazio. Oito conselheiros pediram a expulsão de Massis do quadro associativo, alegando gestão temerária. Adílson Alves Martins também é citado como alternativa do grupo governista.
