O Instituto Butantan informou nesta segunda-feira, 4, que recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fabricar no Brasil a vacina contra chikungunya. O imunizante, aprovado no país em abril de 2025, é produzido atualmente nas fábricas da farmacêutica franco-austríaca Valneva, parceira no desenvolvimento do produto.
Com a autorização, a expectativa é que a Butantan-Chik seja incorporada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que hoje oferece a vacina apenas em algumas localidades. “Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, disse em nota Esper Kallás, diretor do instituto.
A vacina do Butantan e da Valneva foi a primeira a ser registrada contra chikungunya no mundo. Além do Brasil, ela também foi aprovada por autoridades de saúde do Canadá, Europa e Reino Unido.
Os registros foram concedidos após a divulgação de resultados de um estudo com 4 mil voluntários de 18 a 65 anos. A pesquisa mostrou que 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes e que o imunizante era bem tolerado, com bom perfil de segurança. Os eventos adversos mais relatados foram leves e moderados: dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.
O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do Aedes aegypti, mesmo mosquito que transmite dengue e zika. A doença causa febre súbita (acima de 38,5°C), dores intensas nas articulações dos pés e das mãos, dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.
Segundo o Ministério da Saúde, foram registrados 126.930 casos prováveis da doença no país no ano passado, com 125 mortes. Outros 41 óbitos seguem em investigação. Neste ano, a pasta já contabiliza 37.660 casos prováveis e 21 óbitos confirmados, entre eles moradores de Dourados (MS), que declarou emergência pela doença.
Em março, a cidade foi incluída em uma estratégia piloto de vacinação do ministério em parceria com o Butantan. O objetivo é aplicar o imunizante pelo SUS em municípios com alta incidência de chikungunya. No Estado de São Paulo, o modelo inclui as cidades de Mirassol, onde o projeto começou em fevereiro, e Bady Bassitt, que iniciou a vacinação com a Butantan-Chik no último dia 22.
Nessas localidades, qualquer morador de 18 a 59 anos pode se vacinar gratuitamente contra a doença nas unidades básicas de saúde.
