O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta terça-feira, 2, a atuação da Polícia Civil do Estado na Operação Wi-Fi, que investiga suspeitas de fraude em uma licitação de R$ 108 milhões da Prefeitura da capital. A declaração foi uma resposta às críticas do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que classificou a investigação como possível “perseguição política”.
A licitação sob suspeita foi vencida pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma ONG ligada à empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é sócia da Go UP Entertainment Ltd, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Operação Wi-Fi cumpriu mandados em oito endereços, incluindo a sede da ONG, a produtora Go UP, dois imóveis da empresária e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
“A operação da polícia é uma coisa em que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações, para fazer as suas operações. É uma instituição de Estado”, afirmou Tarcísio. A fala ocorreu durante uma coletiva de imprensa em Rio Claro, interior de São Paulo, após a entrega da duplicação da Rodovia Wilson Finardi (SP-191).
Na segunda-feira, dia 1º, Nunes foi questionado por jornalistas sobre a hipótese investigada pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC). A suspeita é de que parte dos recursos do contrato possa ter sido usada pela Go UP durante a produção do filme. O prefeito rebateu: “Eu tenho empresa de embalagem, eu tenho empresa de aterro sanitário, eu tenho fazenda, eu tenho várias atividades, eu sou prefeito, qual o problema da pessoa ter várias atividades? Se a motivação é por conta do filme, então estão indo atrás de um contrato com a Prefeitura de 2024 por causa do filme? Aí é grave. Aí é perseguição política”.
Tarcísio, por sua vez, sustentou que a ação decorreu de uma investigação em andamento e de uma demanda do Ministério Público. “Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda. E, portanto, tivemos a operação. E sempre vai ser assim: a polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado”, declarou o governador.
