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Singapore warns Hormuz is ‘dry run’ for US-China Pacific war

O ministro das Relações Exteriores de Cingapura, Vivian Balakrishnan, alertou que um eventual conflito entre China e Estados Unidos no Pacífico faria os eventos no Estreito de Hormuz parecerem um ensaio. A declaração foi feita durante o evento CONVERGE LIVE da CNBC, em Cingapura, nesta quarta-feira.

Balakrishnan respondeu a uma pergunta sobre se a cidade-Estado está sob pressão de Washington e Pequim para escolher um lado. Ele afirmou que Cingapura mantém relações com ambos os países e está em uma posição única para se beneficiar dos desenvolvimentos nas duas nações.

Os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro em Cingapura, com cerca de 6.000 empresas americanas sediadas no país. Cingapura também tem um déficit comercial em bens com os EUA de aproximadamente US$ 3,6 bilhões, segundo dados do escritório do Representante Comercial dos EUA.

Por outro lado, a China é o maior parceiro comercial de Cingapura, e Cingapura é o maior investidor estrangeiro da China. O ministro disse que Cingapura se recusa a escolher um em detrimento do outro. Avaliamos o que está nos interesses nacionais de longo prazo de Cingapura, disse ele, acrescentando que não hesitam em dizer não a Washington ou Pequim quando necessário.

Ele afirmou que o país age em seu próprio interesse nacional de longo prazo. Seremos úteis, mas não seremos usados, completou.

Em outro momento, Balakrishnan disse que o conflito no Oriente Médio mostrou que pontos de estrangulamento marítimos importam. Ele destacou que Cingapura também está localizada ao lado de uma das principais artérias comerciais do mundo, o Estreito de Malaca.

Em seu ponto mais estreito, o Estreito de Malaca tem duas milhas náuticas de largura, comparado a 21 milhas náuticas do Estreito de Hormuz. O ministro foi questionado se as ações do Irã em tentar cobrar pedágios de navios que passam pelo Estreito de Hormuz fariam outros países pensarem em fazer o mesmo em pontos como o Estreito de Malaca.

Em março, a mídia estatal iraniana informou que Teerã preparava uma legislação para impor taxas a navios que transitam pelo Estreito de Hormuz. Balakrishnan disse que esse cenário seria um risco se concretizado, mas que os Estados que margeiam o Estreito de Malaca Cingapura, Malásia e Indonésia têm interesse estratégico em mantê-lo aberto e não cobrar pedágios.

Ele disse que, em relação a Estados Unidos e China, Cingapura opera com base na UNCLOS, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O artigo 44 da UNCLOS estabelece que os Estados que fazem fronteira com estreitos não devem impedir a passagem em trânsito … Não haverá suspensão da passagem em trânsito.

O direito de passagem em trânsito é garantido a todos. Não participaremos de qualquer tentativa de fechar, interditar ou impor pedágios em nossa vizinhança, afirmou Balakrishnan.

Em um momento em que a crise no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as ações tarifárias dos EUA semearam desconfiança entre as nações, Balakrishnan enfatizou a importância de construir confiança. A confiança é basicamente uma forma de reduzir custos de transação. Ser previsível, confiável e digno de confiança tem valor real, disse ele.

Suas declarações seguiram-se às do vice-primeiro-ministro de Cingapura, Gan Kim Yong, que fez o discurso de abertura do evento. Gan disse que a confiança não pode mais ser presumida, ela precisa ser construída e fortalecida.

Gan afirmou que Cingapura já é um centro financeiro importante e que o próximo passo para a cidade-Estado será construir um ecossistema mais amplo para serviços baseados em confiança, incluindo gerenciamento de riscos, cibersegurança e governança de inteligência artificial.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

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