Guangzhou FC, fundado em 1954, era conhecido como “Tigres do Sul da China”. Por décadas, alternou entre divisões do futebol local até um evento em fevereiro de 2010 mudar seu destino: o clube foi rebaixado à segunda divisão como punição por manipulação de resultados em 2006.
Naquele mesmo ano, em meio à crise, o clube foi comprado por 100 milhões de yuans pelo grupo Evergrande, uma gigante do setor imobiliário. Sob o comando de Xu Jiayin, a empresa injetou recursos vultosos e o time passou a se chamar Guangzhou Evergrande.
A nova fase começou com contratações de peso ainda na segunda divisão. Jogadores como Muriqui, Sun Xiang e Zheng Zhi chegaram. O retorno à elite foi imediato, com o título da League One em 2010.
Os anos seguintes consolidaram uma era de domínio. O clube contratou estrelas como Conca, Paulinho, Elkeson, Ricardo Goulart e Talisca. Em 2012, atraiu Lucas Barrios, então campeão alemão pelo Borussia Dortmund.
O banco também foi reforçado. Campeões mundiais como Marcello Lippi, Fabio Cannavaro e o brasileiro Luiz Felipe Scolari comandaram o time. Felipão, em entrevista ao ge, relembrou a queda: “Quando a crise aconteceu na Evergrande, o clube foi muito impactado. Foi uma queda muito grande.”
Sob essa gestão, os títulos vieram em sequência. O Guangzhou conquistou o Campeonato Chinês de 2011 a 2017 e também em 2019, além de duas Champions League da Ásia (2013 e 2015). Felipão se tornou o técnico mais vencedor da história do clube.
Em 2020, foi anunciado um projeto ambicioso: um estádio para 100 mil pessoas em formato de flor de lótus, orçado em cerca de 12 bilhões de yuans. A arena seria inaugurada em 2022 para a Copa da Ásia.
Entretanto, o modelo de negócios da Evergrande, que cresceu exponencialmente através de dívidas, começou a ruir. A empresa, que chegou a ser um dos maiores conglomerados imobiliários do mundo, enfrentou uma crise de liquidez.
A falência da empresa-mãe afetou diretamente o clube. Sem o aporte financeiro, o Guangzhou Evergrande não conseguiu se sustentar. O time, que foi heptacampeão consecutivo e era chamado de “Chelsea da Ásia”, viu suas portas se fecharem.
O legado do clube inclui oito títulos nacionais, duas taças continentais e uma geração de jogadores estrangeiros que marcaram época no futebol chinês. A história do Guangzhou serve como um exemplo dos extremos que podem ocorrer quando um clube se torna profundamente dependente de um único patrocinador corporativo.
