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OMS alerta: sachês de nicotina avançam e miram jovens no mundo

OMS alerta: sachês de nicotina avançam e miram jovens no mundo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta sexta-feira (15) um alerta sobre a rápida expansão global dos sachês de nicotina. O órgão aponta que esses produtos estão sendo promovidos de forma agressiva entre adolescentes e jovens, aproveitando lacunas na regulação de muitos países.

O aviso está em um novo relatório da organização, publicado às vésperas do Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio. A campanha deste ano terá como foco a dependência de nicotina e as estratégias da indústria para atrair novos consumidores.

No Brasil, o alerta ocorre enquanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se prepara para avaliar se mantém a proibição ou regulamenta o produto. Mesmo proibida, a venda dos sachês ocorre em redes sociais, grupos de WhatsApp e no comércio informal.

Segundo a OMS, o mercado desses produtos cresce em ritmo acelerado. Em 2024, as vendas no varejo superaram 23 bilhões de unidades, um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior. O valor global do setor foi estimado em quase US$ 7 bilhões em 2025.

Conhecidos como “pouches” e “snus”, os sachês contêm nicotina, aromatizantes, adoçantes e outros aditivos. A substância é liberada diretamente pela mucosa oral. A OMS enfatiza que, embora não envolvam combustão, a nicotina é altamente viciante e representa riscos, especialmente para crianças, adolescentes e jovens adultos, cujos cérebros ainda estão em desenvolvimento.

A exposição precoce à nicotina pode afetar funções como atenção e aprendizado, além de aumentar a probabilidade de dependência prolongada e elevar o risco cardiovascular.

“O uso de sachês de nicotina está se disseminando rapidamente, enquanto a regulação tem dificuldade para acompanhar”, afirmou Vinayak Prasad, chefe da Iniciativa Livre de Tabaco da OMS. “Os governos precisam agir agora com salvaguardas fortes e baseadas em evidências.”

O relatório aponta que os sachês frequentemente escapam das normas existentes. Cerca de 160 países não têm regulamentação específica sobre o produto. Outros 16 proibiram a comercialização, enquanto 32 adotaram algum tipo de controle, como restrições à venda para menores, proibição de publicidade ou limitação de sabores. Para a OMS, esse cenário heterogêneo contribui para a expansão do consumo entre jovens.

“Esses produtos estão se espalhando rapidamente, especialmente entre adolescentes e jovens que estão sendo alvo de táticas enganosas”, disse Etienne Krug, diretor de determinantes da saúde da organização. “Eles são projetados para gerar dependência, e há necessidade urgente de proteger a juventude da manipulação da indústria.”

O documento detalha as estratégias da indústria para ampliar o alcance dos produtos. Entre elas estão embalagens discretas e com design sofisticado, sabores doces, campanhas com influenciadores digitais e forte presença em redes sociais. A OMS também menciona o patrocínio de eventos culturais e esportivos, incluindo a Fórmula 1, e a criação de uma imagem associada a um estilo de vida aspiracional. Em alguns casos, as embalagens imitam doces ou marcas populares, o que pode aumentar o risco de ingestão acidental por crianças.

Diante do avanço, a OMS recomenda que os países adotem uma regulação para todos os produtos de tabaco e nicotina. As medidas sugeridas incluem a proibição ou restrição de sabores, veto à publicidade, controle rigoroso da venda a menores, advertências nas embalagens e limites para a concentração de nicotina. A agência também defende a adoção de impostos para reduzir a acessibilidade e sistemas de monitoramento do consumo.

O relatório ressalta que os produtos não devem ser considerados isentos de risco. Alguns são vendidos com diferentes níveis de nicotina, rotulados como “iniciante”, “avançado” e “expert”, com concentrações que podem chegar a 150 mg. A OMS faz um apelo direto aos jovens para que reconheçam e rejeitem as estratégias da indústria.

A indústria do tabaco sustenta uma leitura oposta, argumentando que produtos sem fumaça são parte da solução para reduzir mortes ligadas ao cigarro e que o problema estaria na combustão, não na nicotina em si.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

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